terça-feira, 6 de setembro de 2016

Determinação.

Hoje me deu vontade de escrever.

 Como quem elabora um projeto com suas lágrimas ou como quem metaboliza um plano com seu próprio sangue, escrevo como quem desnuda a alma com sua própria carne. Não há, no entanto, nenhum propósito: não há um floreio literário, uma técnica romântica ou uma descrição fantástica. Escrevo para matar o desejo que me consome por dentro, que amarga o coração, que inquieta os pés, que esfria meu suor. Escrevo, pura e simplesmente, pelo meu próprio prazer de escrever.

 Escrevo como quem não consegue calar-se de si mesmo. Cheio de si, escrevo para esvaziar-me um pouco de mim mesmo. Escrevo com a determinação cética que escrever liberta. Mas escrevo como quem constrói sua própria prisão, palavra por palavra, na cela do vazio objetivo do que escrevo.

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